terça-feira, 10 de novembro de 2009

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Imagem daqui
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A exaustão
das cinco da manhã
e a noite em claro
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Gravo o poema,
que o peso da caneta
e eu nem Atlas
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Os olhos a fecharem-se
mais fortes que o desejo
(vontade de rimar
nestes espaços)
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(Se agora tu viesses
Dar-me um beijo
Com certeza adormecia
Nos teus braços)
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Ana Luísa Amaral

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Segredo

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Hoje é dia de Abrir Aspas Para a Poesia...
Blogagem Coletiva proposta pela Lunna do Blog "Teoria Impossíveis".
Esta é a terceira edição desta proposta, que consite em
escolher um poeta e uma poesia para deixar mais poética a blogosfera…
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E o INTERLÚDIO não podia ficar de fora... afinal, aqui é a casa da poesia!
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Nessa edição vou homenagear um poeta brasileiro, de Minas Gerais: Fernando Campanella, que tenho a honra de ter como amigo virtual aqui nesse cantinho da poesia.
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Aqui neste Blog tenho diversos poemas dele já postados, que você pode conferir aqui.
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Fernando Campanella é autor do Blog PALAVREARES, um espaço encantandor onde publica seus poemas, crônicas e fotografias.... Vale a pena uma visita sem pressa a esse espaço poético.
Clique aqui para conhecer o PALAVREARES.
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E aqui vai o poema de hoje:
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SEGREDO
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Imagino
que saio a pescar a luz na tarde,
meu samburá a tiracolo,
antes que os deuses do dia
atrelem as carruagens
e o sol se incline
no abismo da memória.
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Mudo as pedras.
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Imagino, então,
Dona Lua,
por puro encanto,
até as franjas do infinito
tecendo um halo
e capturando estrelas
no encalço.
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Imagino, imagino,
e deste imaginar me reincorporo,
chispo rudes pérolas:
alucino?
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Fernando Campanella
08 de Junho de 2007
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Este post faz parte da Blogagem Coletiva "Abre Aspas para a Poesia" proposta pela Lunna do Blog "Teorias Impossíveis". Obrigada, Lunna, é sempre um prazer participar.
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domingo, 8 de novembro de 2009

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No amor também as palavras
são necessárias. Os gestos talvez não bastem.
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Nem a chuva lá fora enquanto o amor se inflama.
Nem o sussurro nas árvores quando os corpos serenam.
Nem a melopeia das águas quando as bocas se esmagam.
Nem o fulgor dos olhos quando a paixão se impacienta.
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Penso no amor e logo invento palavras
e logo as palavras se põem ébrias.
Penso no amor e logo as palavras
se soltam como fogosas aves
a que não pergunto o rumo.
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Penso no amor e logo preciso
que as palavras digam
que amor é este em que penso
e em que grito.
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Fernando Namora

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sábado, 7 de novembro de 2009

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Apenas pelas folhas
a manhã se insinua
trazendo-nos a brisa
da tua face nua.
A árvore estremece
e os gestos repetidos
deixam talvez a curva
que passa nos sentidos.
Assim tu hás-de vir
em tudo o que esperamos,
chegando como os frutos
na direcção dos ramos
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Fernando Guimarães

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

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Imagem daqui
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Não é o coração
mas esta carne
em seu rumor.
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Não é o coração
mas teu silêncio
de intenso furor.
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Não é o coração
mas as mãos
sem corpo, vazias.
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Na grave melodia
de um instante
tu e eu
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em desequilíbrio
na infame
consistência
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de um absoluto
obstáculo.
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Ana Marques Gastão
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

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foto daqui
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O meu amor honra-me com prendas
e eu nada tenho para lhe dar. Talvez a Lua.
Afaga-me o cabelo e enche-o de nuvens
e eu só lhe posso retribuir com raios de sol.
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Debruça-me sobre um manto fresco de ervas
e brinca com as minhas orelhas. Dou-lhe,
em segredo, um sorriso, a que ela, logo, acode
com uma cascata líquida de risinhos cristalinos.
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À noite desculpa-se por não ter outras prendas
para demonstrar-me o seu verdadeiro amor.
É nesse momento que, então, envergonhado
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por ter menos do que ela, aproveito o escuro
do quarto e lhe pouso, devagar, sobre a almofada,
uma pétala, ainda viva, perfumada, duma flor.
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José António Gonçalves

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"O Coração"

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O coração é a sagrada pira
Onde o mistério do sentir flameja.
A vida da emoção ele a deseja
Como a harmonia as cordas de uma lira.
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Um anjo meigo e cândido suspira
No coração e o purifica e beija...
E o que ele, o coração, aspira, almeja
É o sonho que de lágrimas delira.
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É sempre sonho e também é piedade,
Doçura, compaixão e suavidade
E graça e bem, misericórdia pura.
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Uma harmonia que dos anjos desce,
Que como estrela e flor e som floresce
Maravilhando toda criatura!
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Cruz e Sousa

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

"O vento"

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Por mais que tente, o vento
não consegue adormecer
se não tiver nada para ler.
Seja uma folha de tília,
de bambu ou buganvília.
É por isso que o vento
arrasta as folhas consigo,
até encontrar um abrigo,
onde possa adormecer.
Arrastou até a folha,
onde eu estava a escrever!
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Jorge Sousa Braga

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"Verdade, Mentira"

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Verdade, mentira, certeza, incerteza...
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
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Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada.
Desliguei as mãos de cima do joelho.
Verdade mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
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Qualquer cousa mudou numa parte da realidade;
os meus joelhos e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
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O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.
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Alberto Caeiro
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domingo, 1 de novembro de 2009

"Sonho"

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Quando cheguei na lua
montei nela como num cavalo manso,
trouxe comigo,
escondi dentro da fronha,
mas depois fiquei com pena
e devolvi pra noite.
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Leila Míccolis
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sábado, 31 de outubro de 2009

"Velha Chácara"

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By nospheratt
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A casa era por aqui...
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.
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Ah quanto tempo passou!
(foram mais de cinquenta anos.)
tantos que a morte levou!
(E a vida...nos desenganos...)
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A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa...
- Mas o menino ainda existe.
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Manuel Bandeira
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"Espera"

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Sabia que você não viria
E usei o tempo para me enfeitar
Preguei flores no cabelo
Dancei em frente ao espelho
Apenas pra te esperar
Rósea, linda e sorridente
Com estrelas no olhar
Me embrulhei toda pra presente
E me pus toda contente
Contar as horas pra você voltar
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Victtoria Rossini
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

"Voraz Fugacidade"

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Esvai-se a vida, o tempo não dá trégua.
Fazer o que do sonho mais querido,
se de repente ele se vê vencido,
como se andasse ao fio de uma régua?
Vão-se os projetos, ais, gemidos, beijos;
entrega-se o ideário ao véu da morte.
Infeliz quem se diga ao pé da sorte,
sob a esperança de eternais desejos.
O que existe, isto sim, é o fim sem volta,
concretizando na alma uma revolta
que envenena a existência sem piedade.
Contemplativa, a mente então se solta;
divagando, ela aponta a ambiguidade
entre a vida e a voraz fugacidade!
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Antonio Kleber
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"Poeminha Bobo"

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Quer me agradar?
Me dá uma bata indiana
um chinelo Havaiana
um pastel com caldo de cana
uma foto de Havana
e uma penca de banana!
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Luna

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

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Primavera é a estação
em que deitas na relva
e ficas a me perguntar
os nomes das flores.
Eu olho para o céu embusca de inspiração
e recito todos os nomes
que já ouvi, misturando
flores e passarinhos.
E você sorri encantada
e diz que sou sedutor
como sol de primavera.
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Álvaro Bastos
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"Exausto"

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Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
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Adélia Prado

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domingo, 25 de outubro de 2009

"Convite"

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Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados
,nem sempre nos levamos
a sério.
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Lya Luft

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sábado, 24 de outubro de 2009

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Guarda-me em ti
como se eu fosse teu segredo.
Pousa em mim
sem pudor e sem medo,
e mostra-me o que virá amanhã.
Cria-me naquilo que desconheço.
Adivinha-me desde o fim até o começo.
Toma-me, sabes bem o endereço,
ai sim, te reconheço.
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Carlos Alberto Baltazar

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"Receita de Olhar"

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Nas primeiras horas da manhã
desamarre o olhar
deixe que se derrame
sôbre todas as coisas belas.
O mundo é sempre novo
e a terra dança e acorda
em acordes de sol.
Faça do seu olhar, imensa caravela...
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Roseana Murray

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

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Podes vender-me a chuva?
A água que forma tuas lágrimas molha tua língua?
Podes vender-me um dólar de água da fonte?
Um nuvem crespa, me venderias?
Ou, quem sabe, água chovida das montanhas?
Ou água dos charcos, abandonada aos cães?
Ou uma légua de mar, talvez um lago?
A água cai e corre. A água corre. Passa.
Ninguém a possui. Ninguém.
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Podes vender-me terra?
A profunda noite das raízes, dentes de dinossauros,
A cauda espersa de longínquos esqueletos?
Podes vender-me selvas já sepultadas, aves mortas,
Peixes de pedra, enxofre dos vulcões,
Milhões e milhões de anos em espiral crescendo?
Podes vender-me terra?
Podes vender-me?
Podes?
A tua terra é terra minha,
todos os pés se apóiam nela.
Ninguém a possui.
Ninguém.
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Nicolas

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"Poema Natural"

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Abro os olhos, não vi nada
Fecho os olhos, já vi tudo.
O meu mundo é muito grande
E tudo que penso acontece.
Aquela nuvem lá em cima?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
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Ontem com aquele calor
Eu subi, me condensei
E, se o calor aumentar,
choverá e cairei.
Abro os olhos, vejo um mar,
Fecho os olhos e já sei.
Aquela alga boiando,
à procura de uma pedra?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
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Cansei do fundo do mar,
subi, me desamparei.
Quando a maré baixar, na areia secarei,
Mais tarde em pó tomarei.
Abro os olhos novamente
E vejo a grande montanha,
Fecho os olhos e comento:
Aquela pedra dormindo,
parada dentro do tempo,
Recebendo sol e chuva,
desmanchando-se ao vento?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
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Adalgisa Nery

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terça-feira, 20 de outubro de 2009

"Pudor"

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Quando fores sentindo que o fulgor
Do teu ser se corrompe e a adolescência
Do teu gênio desmaia e perde a cor,
Entre penumbras e deliquescência,
Faze a tua sagrada penitência,
Fecha-te num silêncio superior,
Mas não mostres a tua decadência
Ao mundo que assistiu teu esplendor!
Foge de tudo para o teu nadir!
Poupa ao prazer dos homens o teu drama!
Que é mesmo triste para os olhos ver
E assistir, sobre o mesmo panorama,
A alegoria matinal subir
E a ronda dos crepúsculos descer...
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Raul de Leoni

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

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É quando um espelho, no quarto, se enfastia;
Quando a noite se destaca da cortina;
Quando a carne tem o travo da saliva,
e a saliva sabe a carne dissolvida;
Quando a força de vontade ressuscita;
Quando o pé sobre o sapato se equilibra...
E quando às sete da tarde morre o dia -
que dentro de nossas almas se ilumina,
com luz lívida, a palavra despedida.
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David Mourão-Ferreira

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domingo, 18 de outubro de 2009

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A noite baixou silente,
e, então, cantei tristemente
as mágoas... para esquecê-las...
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E a noite, ouvindo o meu canto,
que era a música de um pranto,
encheu-se toda de estrelas...
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Adelmar Tavares

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sábado, 17 de outubro de 2009

"Dedução"

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Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas, nem a distância.
Está provado, pensado, verificado.
Aqui levanto solene minha estrofe
de mil dedos e
faço o juramento:
Amo firme, fiel e verdadeiramente.
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Vladimir Maiakovski

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"Evolução"

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Caem as folhas de repente
brotam outras pelos ramos,
murcham as flores, surgem pomos
e a planta volta à semente.
Assim somos. Sutilmente
diferimos do que fomos.
Impossível transmitir
por secreto e singular,
o acrescentar e perder
desse crescer que é mudar.
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Helena Kolody

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Poema Desenhado"

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No meio da página escrevo ao acaso a palavra "menina"
e à sua magia, um caminho abre-se
para ela andar.
E como houvesse brotado aos seus pés um arroio espiador
uma ponte estendeu-se
para ela atravessar.
Mas a menina
agora parou
e do meio da ponte namora
encantadamente nas águas
a graça inacabada de seu pequenino rosto
feito às pressas.
Às pressas...
(nem tive tempo de lhe dar um nome)
A vida é assim,meninazinha sem nome...
A vida nem dá tempo para a vida!
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Mário Quintana
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

"À Carmen - remetendo-lhe um jasmim do Cabo"

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Menos bela que tu, Carmela minha
vai essa flor a ornar tua cabeleira;
eu mesma a colhi na planície
e carinhosa minha alma t'a envia
Quando seca e murcha caia um dia
não a jogues, por Deus, na ribeira:
guarda-a qual memória lisonjeira
da doce amizade que nos unia.
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Dolores Veintimilla
trad. Maria Teresa Almeida Pina

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